Como Criar Persona
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Como Criar Persona

Equipe FGV Jr. · 16 de jul. de 2026

Criar uma persona não é inventar um personagem com nome bonito e foto de banco de imagens. É sintetizar pesquisa real em um perfil que ajuda a decidir. Feita com dados, ela afia a comunicação. Feita com achismo, vira enfeite de parede. Veja como fazer a primeira versão em uma semana.

O que é persona e para que ela serve?

Persona é uma descrição fictícia, porém realista, de um cliente típico do seu negócio, construída a partir de pesquisa com pessoas reais. Ela existe por um motivo prático: números não grudam na memória, gente sim. A persona transforma dado de planilha em alguém que a equipe consegue ter em mente na hora de escrever um anúncio ou decidir um produto.

Segundo o Nielsen Norman Group, referência em pesquisa de usuário, a função principal da persona é justamente a memorabilidade. Por isso vale a regra mais útil e mais ignorada do método: cada informação incluída precisa ter propósito. Se aquele detalhe não muda nenhuma decisão, ele sai.

É o teste que separa persona útil de ficha inútil. Saber o vinho favorito do cliente é irrelevante para quase todo negócio, e decisivo para quem vende vinho.

Qual a diferença entre persona e público-alvo?

Público-alvo é um recorte amplo e estatístico: mulheres de 25 a 40 anos, classe B, que moram no Rio. Persona é uma pessoa específica dentro desse recorte, com contexto, objetivo e obstáculo. O público-alvo diz para quem você vende. A persona diz o que dizer, quando e por quê.

Critério

Público-alvo

Persona

Escopo

Grupo amplo

Indivíduo representativo

Base

Dados demográficos

Pesquisa qualitativa e comportamento

Responde

Para quem vender

Como falar e o que priorizar

Usa para

Segmentar mídia e dimensionar mercado

Criar mensagem, produto e atendimento

Um não substitui o outro. O público-alvo delimita o campo, a persona escolhe a mira dentro dele.

Como criar uma persona passo a passo?

São cinco etapas, e a primeira não é escolher o nome. Persona nasce de coleta, não de reunião de brainstorm. Uma versão inicial sai em uma semana se você já tem clientes com quem conversar.

  1. Defina o objetivo. Persona para campanha de mídia e persona para desenvolver produto pedem informações diferentes. Sem objetivo, você coleta tudo e não usa nada.
  2. Entreviste clientes atuais, ex-clientes e quem não comprou. Os três grupos importam: quem desistiu explica a objeção que sua página não responde.
  3. Procure padrões nas respostas. Agrupe por contexto, objetivo e obstáculo, não por idade. Idade é a variável mais fácil de coletar e quase nunca a que explica a compra.
  4. Escreva a ficha. Nome, foto e uma frase-síntese servem à memória. Contexto, objetivo, obstáculo e critério de decisão servem à estratégia.
  5. Compartilhe e use. Persona é documento interno de trabalho. Se ela não muda um anúncio, um roteiro de atendimento ou uma decisão de produto nesta semana, ela falhou.

Quantas criar? Duas ou três, no máximo, no começo. Cada persona nova divide o foco da equipe e a verba. Priorize pelo potencial de receita.

Ainda não sabe quem é o seu cliente ideal nem qual o tamanho do seu mercado? Comece por um estudo de mercado.

Por que tanta persona não serve para nada?

Porque a maioria descreve quem o cliente é e esquece o que ele está tentando resolver. Uma ficha que informa que Marina tem 32 anos, gosta de viajar e usa Instagram não ajuda ninguém a escrever uma frase de venda melhor. Demografia não é motivo de compra.

Essa lacuna deu origem a uma crítica conhecida no meio de pesquisa e a um método alternativo, o Jobs to Be Done: em vez de perguntar quem é o cliente, ele pergunta que tarefa a pessoa está contratando o produto para cumprir. O caso clássico, popularizado por Clayton Christensen, é o do milk-shake comprado de manhã não por sabor, mas por ser algo que dura o trajeto inteiro e ocupa uma mão só.

O Nielsen Norman Group compara personas e Jobs to Be Done e conclui que os dois são compatíveis, não rivais. Uma persona bem feita já contém a informação de objetivo que o JTBD isola. O problema nunca foi o método, foi a ficha rasa que virou padrão.

A correção é simples e barata: comece cada persona por uma frase de tarefa, no formato "quando acontece tal situação, eu quero tal coisa, para conseguir tal resultado". Depois some a demografia, e só a que muda alguma decisão.

Quais erros esvaziam a persona?

O erro que anula todos os outros é criar a persona sem falar com ninguém. Perfil montado em reunião, a partir do que a equipe imagina do cliente, apenas documenta as suposições internas e depois as devolve com aparência de pesquisa.

  • Empilhar detalhes decorativos que não influenciam nenhuma decisão.
  • Criar seis personas e não conseguir priorizar nenhuma.
  • Confundir persona com brand persona. A primeira é o cliente, a segunda é a voz da marca.
  • Deixar a ficha congelada por anos. Contexto muda, e com ele a prioridade do cliente.
  • Publicar a persona como conteúdo. É documento interno, e o cliente pode se ofender ao se ver caricaturado.

Persona é meio, não entregável

Uma persona só vale o tempo investido se mudar o que a sua empresa faz na segunda-feira. Se o obstáculo é o tempo das entrevistas ou a leitura dos padrões, a FGV Jr., a empresa júnior da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro, conduz a pesquisa e entrega o perfil pronto para uso, com supervisão acadêmica e custo de empresa júnior.

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Perguntas frequentes sobre persona

Quantas personas minha empresa deve ter?

Comece com uma e chegue no máximo a três. Cada persona adicional divide foco, verba e esforço da equipe, e a maioria das pequenas empresas não tem estrutura para atender bem a vários perfis ao mesmo tempo. Crie uma nova apenas quando encontrar um grupo com objetivo e obstáculo realmente distintos, e priorize pelo potencial de receita.

Dá para criar persona sem ter clientes ainda?

Dá, mas ela nasce como hipótese, não como conclusão. Use dados públicos do Sebrae e do IBGE para dimensionar o perfil, converse com pessoas do público que pretende atender e trate a ficha como provisória. Assim que as primeiras vendas acontecerem, refaça com dado real. Persona baseada só em suposição costuma confirmar o que você já achava.

Qual a diferença entre persona e ICP?

O ICP (Perfil de Cliente Ideal) descreve a empresa ou o tipo de conta com quem vale a pena fazer negócio: porte, setor, faturamento. A persona descreve a pessoa dentro dela, com objetivos e dores próprias. Em vendas B2B os dois convivem: o ICP diz para qual empresa vender, a persona diz como conversar com quem decide lá dentro.

Preciso dar nome e foto para a persona?

Nome e foto existem para ajudar a equipe a lembrar dela, e nada além disso. São úteis, mas não são o trabalho. Se a ficha tem nome, foto e nenhuma informação sobre o que a pessoa quer resolver e o que a impede, ela é decoração. Priorize contexto, objetivo, obstáculo e critério de decisão.

De quanto em quanto tempo revisar a persona?

Revise ao menos uma vez por ano e sempre que mudar algo relevante no mercado, no produto ou no perfil de quem está comprando. Sinais de que a ficha envelheceu aparecem no dia a dia: objeções novas no atendimento, campanhas que pararam de converter e clientes fechando por motivos diferentes dos que você previa.

Publicado em 16 de jul. de 2026
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